Voz

Uma distribuição salarial baixa, fruto de uma rí­gida legislação trabalhista

O mercado de trabalho brasileiro ainda apresenta uma distribuição salarial baixa, em grande parte fruto de uma rígida legislação trabalhista. Um estudo da Consultoria McKinsey aponta o Brasil como o país com as leis trabalhistas mais rígidas. Numa escala de 0 a 100, onde 100 representa o máximo de rigidez e 0 o mínimo, o Brasil é o líder, com 78 pontos. O México tem 77, Argentina, 66, Chile, 50, China, 47, e EUA, 22.

No quesito carga tributária como proporção do PIB, o Brasil também é destaque negativo. Nossa taxa é superior às verificadas em outros países emergentes, como China, Índia, Chile e Venezuela. O Banco Mundial estima que as empresas brasileiras gastem, em média, 2600 horas de trabalho por ano para o pagamento de impostos e sofrem com uma alíquota total de 69,2% sobre o lucro.

O crédito, apesar da considerável expansão dos últimos anos, continua a guardar potencialidades ainda não exploradas, especialmente para classes de menor renda. Cerca de 60% das compras das famílias brasileiras ainda são feitas com dinheiro. Nossa proporção crédito/PIB permanece muito aquém do seu potencial. De acordo com dados do Banco Mundial, no ranking de 92 países em que essa relação ultrapassa os 30%, o Brasil é o 83º colocado, com 36,45%. Além disso, o crédito no Brasil é historicamente custoso. Ainda segundo o Banco Mundial, temos o segundo maior spread do mundo, 36,88%, atrás apenas do Zimbábue.

Apesar dessas dificuldades, o Brasil obteve, nos últimos tempos, avanços significativos com inflação estabilizada, reservas internacionais em patamares recordes, recuperação da renda, crédito mais acessível e, como produto final, um crescimento econômico robusto, que guarda forte relação com o mercado interno. Em conseqüência, o Índice de Aquecimento da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) aponta o Brasil, juntamente com o Chile e o Peru, como os países mais bem colocados em termos de ambiência de negócios na região. No entanto, o país não pode descuidar do aprazamento de reformas que possibilitem suprir as carências expostas, anteriormente. É preciso conter a trajetória ascendente dos gastos públicos, direcionar recursos de forma mais eficiente e, assim, abrir margem para a redução da carga tributária, juros menores e uma economia mais competitiva.

Orlando Diniz é presidente da Fecomércio-RJ

 

Fervendo:

Avaliação atual 4,71/10 (86 avaliações)