Segunda-feira 27 de outubro de 2008
“Salvador tem uma situação de trânsito hoje tão grave quanto São Paulo”, diz diretor da ONG SOS Mata Atlântica
Caso nao consiga visualizar o vídeo, acesse o link abaixo:
http://br.youtube.com/watch?v=gkoHGmAxZq4&feature=related
Mário Mantovani, diretor da ONG Mata Atlântica, relata a situação preocupante da capital baiana. Salvador tem especulação imobiliária, compromete mananciais e tem problemas de trânsito tão graves quanto São Paulo. Mantovani cita, como exemplo, o novo empreendimento Alphaville, que derrubou floresta para mostrar desenvolvimento, em vez de valorizar a mata em seu entorno. “O bom é que a cidade está reagindo”, diz ele. Soteropolitanos, digam o que pensam da situação na cidade.















Helena Vieira | Sao Paulo | October 27, 2008, 11:38am | #
Trago da infância a imagem bucólica de uma Salvador que não existe mais. Casinhas brancas e marzão aberto da Boca do Rio a Itapuã, onde minha tia tinha uma casa de veraneio. Esse era o lado bom. O isolamento cultural da cidade em relação ao resto do mundo, a política de cabresto, a alegria como único estado de ânimo aceito coletivamente eram o preço que se pagava pela vida no paraíso tropical. Há vinte anos não moro em Salvador. E hoje, quando visito, me alegro pela diversificação cultural da cidade, pelo teatro vivo e pulsante, pelo enriquecimento gastronômico, pela alternância política. Mas será que temos de pagar um preço de novos ricos para desfrutarmos essa maior diversidade de escolha? Precisamos jogar fora o mato, para provarmos que não somos tabaréus-caipiras? Precisamos, como enfatiza Dimitri Ganzelevitch, jogar fora as pedras portuguesas que calçavam e embelezavam o Porto da Barra, para nos afirmarmos perante um confuso ideal de modernidade que ninguém sabe definir? Precisamos mesmo dos nomes Manhattan Park e Alphaville, que só nos faz parecer cópias periféricas da periferia paulista? Pior do que os nomes é o conceito. Desmatar para progredir. Uma idéia de progresso que vai no sentido oposto ao da vanguarda do urbanismo mundial. Os baianos não merecemos isso.