Voz

Simplificação traz maior eficiência, diz economista da FGV

Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas do IBRE (Instituto Brasileiro de Economia), da Fundação Getúlio Vargas, diz que a alta tributação distorce algumas atividades do setor produtivo. Ele defende a simplificação dos impostos: “Simplificação propicia maior eficiência”. O VOZ conversou com o economista por telefone.

VOZ – O Brasil cresceria mais se o governo reduzisse a atual carga tributária, em torno de 38%?

SQ – A carga de impostos no Brasil é alta, bastante alta, mas está estabilizada. Sua diminuição seria importante para aquecer o desenvolvimento econômico brasileiro. Gerar melhores e maiores oportunidades de negócio. A alta tributação distorce algumas atividades do setor produtivo.

VOZ – O que o senhor entende por distorção de atividades no setor produtivo?

SQ – Um exemplo é o tempo gasto para manter em dia as contas de uma empresa. É preciso contratar profissionais do setor para lidar com as exigências legais. Qual é o custo de se manter em dia com as obrigações? É um custo alto. É preciso analisar o pagamento de impostos por dois ângulos fundamentais: o do desembolso e o da contribuição. Ou seja: para acertar as contas (além do pagamento específico dos tributos), gasta-se tempo e dinheiro, que poderiam ser dedicados ao trabalho da empresa.

VOZ – Quais são as mudanças de que o sistema tributário brasileiro precisa?

SQ – Precisamos, sobretudo, de simplificação. Simplificação propicia maior eficiência.

VOZ - Há muitos anos se discute a Reforma Tributária no Brasil, mas nunca se conseguiu aprovar nada. Por quê é tão difícil?

SQ - A tarefa de executar qualquer reforma tributária é complexa. Envolve ganhadores e perdedores. E ninguém quer sair perdendo. Requer estratégia política, convencimento de um maior número possível de pessoas para aderir a um plano comum de mudanças.

VOZ - É viável fazer uma reforma tributária sem fazer uma reforma fiscal ampla. Ou seja, cortar gastos?

SQ – O governo é um ente que gasta muito. É preciso poupar mais o que se arrecada a fim de se criar um caixa de investimentos. O Brasil precisa de investimentos, de melhoria na infra-estrutura. Os atuais gastos públicos têm de ser repensados. Não adianta de nada termos a atual carga tributária se não há retorno para a sociedade desse dinheiro.

VOZ – Qual a influência da atual estrutura de gastos públicos na economia brasileira?

SQ – Os gastos públicos brasileiros são redistributivos e gastos em pessoal. E o que o Brasil precisa é de investimentos. Aí, temos um gasto relativamente pequeno.

VOZ – A proposta do governo em reunir um grupo de impostos, PIS, Cofins, CID, entre outros, em um único imposto de valor agregado, o IVA Federal, seria boa para a economia brasileira?

SQ – A reunião de impostos é um processo longo, demorado. Não acredito que será possível ser feita nesse ou no governo seguinte. Agora, nenhum imposto é bom. Quanto menos, melhor.

VOZ – O governo, em sua proposta de reforma tributária, decidiu manter a cobrança independente do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Qual a sua opinião sobre esses dois tributos?

SQ – Eles são distintos. O IOF é mais nocivo ao contribuinte do que o IPI. Tributar a movimentação financeira é uma forma de coibir o estímulo ao crescimento. Prejudica a poupança. O IPI está associado aos produtos industrializados é menos prejudicial ao desenvolvimento em relação ao IOF.

Fervendo:

Avaliação atual 4,93/10 (112 avaliações)

Comentários em destaque

Márcia Alves | São Paulo | May 27, 2008, 9:27pm | #

Oportuna a entrevista. O assunto é polêmico no país hoje em dia. Como podemos pagar tantos impostos e não vermos nada em troca. Sou a favor também da simplificação dos tributos que pagamos.