Quarta-feira 21 de maio de 2008
Simplificação traz maior eficiência, diz economista da FGV
Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas do IBRE (Instituto Brasileiro de Economia), da Fundação Getúlio Vargas, diz que a alta tributação distorce algumas atividades do setor produtivo. Ele defende a simplificação dos impostos: “Simplificação propicia maior eficiência”. O VOZ conversou com o economista por telefone.
VOZ – O Brasil cresceria mais se o governo reduzisse a atual carga tributária, em torno de 38%?
SQ – A carga de impostos no Brasil é alta, bastante alta, mas está estabilizada. Sua diminuição seria importante para aquecer o desenvolvimento econômico brasileiro. Gerar melhores e maiores oportunidades de negócio. A alta tributação distorce algumas atividades do setor produtivo.
VOZ – O que o senhor entende por distorção de atividades no setor produtivo?
SQ – Um exemplo é o tempo gasto para manter em dia as contas de uma empresa. É preciso contratar profissionais do setor para lidar com as exigências legais. Qual é o custo de se manter em dia com as obrigações? É um custo alto. É preciso analisar o pagamento de impostos por dois ângulos fundamentais: o do desembolso e o da contribuição. Ou seja: para acertar as contas (além do pagamento específico dos tributos), gasta-se tempo e dinheiro, que poderiam ser dedicados ao trabalho da empresa.
VOZ – Quais são as mudanças de que o sistema tributário brasileiro precisa?
SQ – Precisamos, sobretudo, de simplificação. Simplificação propicia maior eficiência.
VOZ - Há muitos anos se discute a Reforma Tributária no Brasil, mas nunca se conseguiu aprovar nada. Por quê é tão difícil?
SQ - A tarefa de executar qualquer reforma tributária é complexa. Envolve ganhadores e perdedores. E ninguém quer sair perdendo. Requer estratégia política, convencimento de um maior número possível de pessoas para aderir a um plano comum de mudanças.
VOZ - É viável fazer uma reforma tributária sem fazer uma reforma fiscal ampla. Ou seja, cortar gastos?
SQ – O governo é um ente que gasta muito. É preciso poupar mais o que se arrecada a fim de se criar um caixa de investimentos. O Brasil precisa de investimentos, de melhoria na infra-estrutura. Os atuais gastos públicos têm de ser repensados. Não adianta de nada termos a atual carga tributária se não há retorno para a sociedade desse dinheiro.
VOZ – Qual a influência da atual estrutura de gastos públicos na economia brasileira?
SQ – Os gastos públicos brasileiros são redistributivos e gastos em pessoal. E o que o Brasil precisa é de investimentos. Aí, temos um gasto relativamente pequeno.
VOZ – A proposta do governo em reunir um grupo de impostos, PIS, Cofins, CID, entre outros, em um único imposto de valor agregado, o IVA Federal, seria boa para a economia brasileira?
SQ – A reunião de impostos é um processo longo, demorado. Não acredito que será possível ser feita nesse ou no governo seguinte. Agora, nenhum imposto é bom. Quanto menos, melhor.
VOZ – O governo, em sua proposta de reforma tributária, decidiu manter a cobrança independente do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Qual a sua opinião sobre esses dois tributos?
SQ – Eles são distintos. O IOF é mais nocivo ao contribuinte do que o IPI. Tributar a movimentação financeira é uma forma de coibir o estímulo ao crescimento. Prejudica a poupança. O IPI está associado aos produtos industrializados é menos prejudicial ao desenvolvimento em relação ao IOF.









Márcia Alves | São Paulo | May 27, 2008, 9:27pm | #
Oportuna a entrevista. O assunto é polêmico no país hoje em dia. Como podemos pagar tantos impostos e não vermos nada em troca. Sou a favor também da simplificação dos tributos que pagamos.